O dia da mulher é todo dia.

Não é fácil ser mulher. A vida por si só já exige muito de nós. Vivi situações difíceis por ser do "sexo frágil". Descobri que a força está em minha natureza. Percebi, através da meditação, uma importância existencial. Hoje sei do que sou capaz, antes nem imaginava que poderia.  



Ser mulher é um desafio. É necessário muita paciência, tranquilidade e calma para não deixar a "peteca cair". Ainda hoje muitas vivem sob o domínio de culturas machistas. A revolução do dia da mulher, de março de 1857, transformou a civilização, mas não no mundo todo. Na Índia a grande maioria, ou quase todas, não usam absorvente. Um homem, por ver sua esposa e filha sofrerem graves doenças pela falta de higiene no período menstrual, criou uma maquina para a confecção de absorventes extremamente baratos, onde as próprias mulheres do vilarejo fabricam e vendem, gerando trabalho e liberdade para as solteiras e viúvas discriminadas. O que para nós é uma coisa simples e comum, lá é um milagre. 


Faz muito pouco tempo que a mulher começou a caminhar pelo mundo digna de sua existência. Fomos vetadas de muita coisa, mas o hoje o conhecimento nos proporcionou grandes mudanças. Posso trabalhar, cuidar da casa, dos meus filhos e curtir com meu marido. E, como prioridade, ter tempo para mim. Sou muito vaidosa, gosto de estar bonita e me vestir bem. Preciso administrar a vida para não deixar faltar nada em parte alguma. Ser bem sucedida é fazer o melhor que puder em qualquer situação. Estou aprendendo muito, nunca fui tão exigida como estou sendo agora e saber que posso dar conta me conforta. Imagino como foi para as minhas ancestrais e o quanto evoluímos.


São tantas emoções, conflitos. Vivi experiências que despertaram sensações boas e ruins. Expandir minha sensualidade foi uma terapia, eu me libertei. Vítima de condicionamentos, sabotei muitos sentimentos e bloqueei minha sexualidade. Fui ter um orgasmo com 23 anos, sozinha. Tinha vergonha e medo de usar roupas decotadas e curtas. Um namorado, um dia na praia, me incentivou a usar uma saia e top que eu jamais teria coragem. Era pré-conceituosa com outras mulheres e comigo mesma. Falava coisas terríveis a respeito. Como modelo sofri o mesmo preconceito. A lei da ação e reação é implacável. A própria vida nos dá oportunidade para aprender com nossos erros e evoluir. 



O auge da minha vida foi quando a Diana nasceu. Um segundo e tudo mudou. O ápice! Uma nova etapa começou e eu me senti mais forte, como se nada pudesse me deter. Um sentimento enorme no peito se expandia pelo corpo todo, me fazendo sentir como uma super-heroína. O nosso primeiro encontro, quando olhei nos olhos dela e disse "eu sou a mamãe", foi um momento que não consigo explicar. Eu estava acabada, cansada, mas sentia uma emoção tão grande que era como se eu estivesse anestesiada. Eu senti naquele momento que nada no mundo é maior. Dar à luz, pôr no mundo um novo ser, saber que cresceu aqui dentro e poder acompanhar seu crescimento dia a dia, é divino. Esse laço é eterno. Um amor assim só me faz ter mais gratidão à existência pela mulher que me tornei.  


Quero celebrar com todas as mulheres do mundo, quero dançar e cantar, brindar a nossa individualidade. Poder dizer, com liberdade, o que penso e o que sinto. Vestir o que quero e contar piadas. Ser bem sucedida na profissão que escolhi e prosperar. Agora podemos ir além! Há muito que mudar para sermos uma sociedade consciente, mas caminhamos juntos para isso, homens e mulheres, cada um com sua importância fundamental para a vida.



Que todas as mulheres floresçam.


Alessandra França Quiroga




"Eu gostaria que a mulher se tornasse tão feminina quanto possível, só então ela pode florescer. E o homem precisa ser tão masculino quanto possível, só então ele pode florescer. Quando eles são polos opostos, uma grande atração, um grande magnetismo surge entre eles. E quando eles se aproximam, quando se encontram na intimidade, eles trazem dois mundos diferentes, duas dimensões diferentes, duas diferentes riquezas, e este encontro é uma tremenda benção, uma bem-aventurança."

OSHO